Acordei por volta das onze horas. Lá fora o tempo estava nublado e fazia frio. Pude olhar pela janela o dia sombrio, onde o sol se escondia detrás da grossa camada de nuvens arroxeadas. Teodoro praticamente hibernava, jogado sobre algumas almofadas, escondido atrás do sofá da sala.
Voltei ao meu quarto e, mais uma vez trancando a porta, fui até o guarda-roupa onde, na terceira gaveta, pude averiguar, dentro do meu pequeno baú de madeira, a segurança do pedaço rasgado de um antiguíssimo pergaminho.
_Preciso tirá-lo daqui. – pensei comigo mesma. _Assim como o Teodoro me encontrou, não será difícil para Santiago fazer o mesmo. Tenho de encontrar o segundo fragmento, só então vou atrás dele para arrancar-lhe o terceiro pedaço.
Era fato que havia outros vampiros em minha busca. Santiago faria de tudo para ter o pergaminho que lhe roubei. Mas uma coisa me intrigava: será que ele já teria encontrado a outra parte perdida do pergaminho? Necessitava saber até onde Teodoro sabia a respeito dos escritos. Mas agora eu tinha de descansar, pois à noite, o trabalho me esperava.
Meio a contragosto, fui trabalhar deixando Teodoro em meu apartamento. Era arriscado demais deixá-lo passeando pela cidade.
Olhos zombeteiros observaram-me assim que entrei na empresa. Os mesmos que me acompanharam durante todo o trajeto. Caminhei naturalmente entre os outros funcionários pelo hall de entrada e direcionei-me ao corredor dos sanitários.
Não demorou muito para que ela me seguisse e entrasse no banheiro também. Suas botas pretas de salto sobre o piso frio davam o alarme. Disfarcei retocando a maquiagem. Ela retirou seu casaco branco e o descansou sobre a pia, ajeitou os curtos cabelos platinados, cuja franja assimétrica caia sobre o rosto. Uma boca vermelha e convidativa.
_Vamos poupar o seu e o meu tempo. – ela disparou. _É só entregar-me o pergaminho que vou embora. Simples assim.
_Não sei do que você está falando. Nem lhe conheço! – contradisse, fugindo do assunto.
_Paciência não é uma de minhas virtudes, já vou avisando. – retrucou segurando firme em meu braço. Neste momento outra mulher entra no banheiro.
_Então já vou lhe avisar: não me espere para o jantar! – empurrei a estranha sobre a mulher que acabara de entrar no banheiro, fazendo-as desequilibrarem-se e caírem ambas ao chão. Neste meio tempo, pulei por sobre elas e corri para fora do sanitário, puxando com muita força a porta, arrancando-lhe a maçaneta e trancando as duas mulheres lá dentro.
Entrei no primeiro táxi que encontrei na frente da empresa e disparei para casa. Lá chegando, corri imediatamente até meu quarto, peguei alguns documentos e os joguei dentro de minha bolsa, tudo acompanhada pelos olhos curiosos de Teodoro, que não entendera o que estava acontecendo, até que eu o expliquei.
_Seu nome é Diana. – disse ele num rompante assustado. _Ela é monstruosa. Não sei como você conseguiu escapar.
_Acho que ela não esperava que eu reagisse. Por isso a surpreendi. – cogitei. _Mas agora tenho que sair o mais rápido possível daqui.
_Com certeza! Precisamos fugir. Ela já sabe onde você mora ou não teria te seguido até o trabalho. É questão de minutos ela entrar por essa porta.
_Você tem razão! – concordei, puxando a gaveta e pegando o baú de madeira. O abri, pegando o pedaço de pergaminho. _Mas se é dele que ela veio atrás, deu viajem perdida.
_Nossa! Você está mesmo com um dos pedaços do pergaminho. – conclamou chocado. _Agora mesmo que precisamos fugir daqui!
_Mais uma vez você tem razão. – respondi. _Só errou em uma coisa... – Teodoro me olhou inquisidor. _EU FUGIREI DAQUI! – com firmeza segurei o baú de madeira, e com toda força de meu braço, acertei Teodoro em cheio com uma pancada em sua têmpora.