Há menos de cinco minutos que eu o conhecera e já o odiava com veemência. Teodoro era um daqueles homens sem nenhuma qualidade. Do tipo que você olha e instantaneamente sente nojo. E como se não bastassem tantos predicados, o filho da mãe ainda era um vampiro. Mas apesar de toda sua empáfia, podia sentir o cheiro de medo exalar de sua pele.
_Você vai dizer o que quer ou vai ficar ai me olhando? – perguntei irritadiça.
_Este não é o melhor lugar pra gente conversar. – disse ele já se levantando da cadeira pouco confortável do café. _Vamos sair daqui. Venha comigo!
_E se eu não for o que vai acontecer? – retruquei.
_Você é uma mulher inteligente, Valentina. Por isso sei que virá! – exclamou dando de costas e seguindo em direção à saída do estabelecimento.
Seja lá quem for este sujeito, parecia saber muito a meu respeito. Isso me deixava em desvantagem. Por enquanto eu teria de engolir meu orgulho e segui-lo. Por enquanto!
A chuva fina que caía deixava a madrugada fria. Entre poças e lixo pelas calçadas, o segui sob as marquises. Paramos a duas quadras dali, numa rua pouco movimentada, em frente a uma placa de motel.
_Vamos subir! – com um sorrisinho de lado, Teodoro me indicou a entrada do motel. _Aqui poderemos conversar mais a vontade.
Aproximei-me daquela criatura estúpida, e sem a menor cerimônia ou delicadeza, apertei-lhe o saco, fazendo-o urrar.
_Sim, eu vou subir. – falei-lhe ao pé do ouvido enquanto ele gemia. _Mas se você quer permanecer com este pedacinho de músculo flácido entre as pernas, acho bom não tentar nenhuma gracinha. Ou você passará pela mudança de sexo mais rápida da história. Estamos entendidos?
Não sei se o que ouvi foi um sim, mas o gemido entre os dentes me pareceu uma afirmação.
Subi rapidamente as escadas de degraus estreitos e segui por um corredor mal iluminado. Ele me acompanhou com passos lentos e reclamando da dor.
O quarto quase claustrofóbico do motel até parecia limpinho à primeira vista. Mas o que eu queria mesmo, era saber o que dava tanta segurança para aquele sujeito? Que tipo de informação ele teria para mim?
_Vamos logo! Desembucha. – exclamei ansiosa, enquanto sentava-me na beirada cama. Teodoro caminhava de um lado para o outro nervoso.
_Acredito que você tenha ouvido falar dos assassinatos que aconteceram em São Paulo no mês passado? – perguntou-me, enquanto olhava preocupado para a rua, por uma abertura na persiana da janela. Disse que sim, apenas acenando com a cabeça e ele prosseguiu.
_Seis pessoas foram encontradas mortas e a polícia não tem nenhuma pista do assassino, nem a menor noção dos motivos do massacre. Pois bem, eu sei quem foi o responsável.
_E o que eu tenho a ver com isso?
_Você, nada! Sei que não foi você! – neste momento Teo sentou-se ao meu lado na cama, suspirando forte e encarando-me olho no olho. Havia um ar de satisfação e malícia em seu sorriso de canto de boca. _Mas adivinha? Eu estava lá e sei quem foi. E tenho certeza de que você vai adorar saber o seu nome.
Uau! Que história é esta?
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