terça-feira, 3 de maio de 2011

Capítulo 4 - Carne Vermelha e Vinho Tinto

Contei até dez para manter a calma e não voar no pescoço daquele estupor e arrancar-lhe de uma só vez a tão misteriosa informação. Mas não podia demonstra a minha insegurança diante dele.
_Conte logo, porque não tenho todo o tempo do mundo para perder aqui com você. – fiz como se pouco me interessasse no que Teodoro teria para me contar.
_Antes de dar com a língua nos dentes, preciso que você me prometa uma coisa? – Teodoro levantou-se da cama e mais uma vez verificou o movimento na rua através da janela. Estava visivelmente perturbado.
_Não sei em que eu poderia ajudar-lhe! – exclamei, arrancando dele uma reação um tanto execrada.
_Não se faça de desentendida! – apontou-me o dedo na cara com olhos enfurecidos. E em seguida se perdeu em pensamentos, caminhando pelo quarto de um lado para o outro, resmungando não sei bem o que. E só após olhar mais uma vez pela janela, voltou a dialogar comigo. _Promete que vai me ajudar! Eu sei que mesmo o ajudando, ele vai me matar! Ele mandou alguém me seguir. Ele vai me matar, eu sei. Ele disse que não, mas eu sei que vai.
_Ele quem? – interroguei já sem paciência.
_Santiago...

O som daquele nome fez meu corpo estremecer como há muito tempo não sentia. Minha boca ressecou e faltaram-me palavras. Fiquei estática a olhar nos olhos de Teodoro.
_Santiago? Você o encontrou em São Paulo? Como foi isso?
_Como te falei, foram encontradas seis pessoas mortas em São Paulo, mas na verdade, eram sete. – um pouco mais calmo Teodoro prosseguiu. _Eram todos meus amigos. Fomos atacados enquanto voltávamos para casa, depois de sairmos de uma festa. Algo bateu no meu carro, perdi o controle e rodei na estrada. O segundo carro acabou se chocando com o meu.
_E você não o viu atacando seus amigos?
_Não! Como na estrada os nossos celulares estavam sem sinal, eu e mais um amigo decidimos voltar alguns quilômetros e pedir ajuda num posto de gasolina próximo. Mas depois de alguns minutos caminhando, pudemos ouvir uns gritos e ver uma explosão ao longe. – Teodoro senta-se no chão, num dos cantos do quarto do motel. _Voltamos correndo, mas era tarde. Estavam todos mortos. Então das sombras ele apareceu. Tão rápido que não pude ver de onde, tão pouco socorrer o meu amigo, que se convulsionava enquanto tinha seu pescoço abocanhado e seu sangue sugado. Tentei correr, mas minhas pernas haviam paralisado de medo. A criatura depois de saciada arremessou o corpo sobre os veículos ainda em chama e veio em minha direção. Só consegui implorar por minha vida.
_Mas somente isso não justifica você ter sido transformado e não morto. – permanecia preocupada, até mais que temerosa.
_Sim, você tem razão. – ele confirma minha desconfiança. _Não sabia bem porque, mas ele tinha planos para mim.
_Planos? Quais planos?
_VOCÊ! – disse ele, me surpreendendo. _Ele havia nos observado durante toda a noite na festa e sabia que não éramos de São Paulo.
_Então é isso! Você está me espionando. – só então consegui entender o porquê de em alguns momentos me sentir sendo observada. Pude então reconhecer Teodoro em outros momentos durante minhas noites.
_Exatamente. Mas existem outros à sua procura, mas eu sou o melhor. – Teodoro parecia ter um instinto de caçador que nem ele mesmo conhecia até virar vampiro.
_E Santiago sabia disto. Por isso lhe transformou. – neste momento, meus medos começavam a criar forma. Meus planos teriam de ser alterados. Mas eu precisava saber por que Santiago estava atrás de mim. Será que ele desconfiava dos meus planos?
_Ele sabe que está com você! – Teodoro deixou escapulir entre os dentes. _E ele o quer de volta. Mas precisa te encontra primeiro.
_Não sei do que você está falando? – desconversei. O vampiro dispara uma risada de deboche.
_O pergaminho. Você tem parte do pergaminho. E ele o quer.

Um comentário:

  1. Hunmnmn... Agora sim a história está ficando bem interessante... rsss

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