Cinco de julho de 2009. Era meu aniversário e, como sempre, ninguém se lembrou. Mas já não fazia tanta diferença assim para mim. Era só mais um dia. Um pouco mais triste que os demais, mas somente mais um dia.
Eu acabara de sair do trabalho. Quer dizer, daquele empreguinho medíocre que eu exercia. Enfurnada numa sala empoeirada, separando e empilhando caixas de sapatos, para no final do mês ficar contando míseros trocados.
Era triste ter que voltar para casa e encarar um pai alcoólatra e uma mãe submissa. Essa era a minha vidinha cheia de clichês. E assim, caminhava devagar com a esperança de que, por encanto, ela pudesse mudar no meio do caminho. Mas eu não podia imaginar que seria naquele dia.
O céu pesado de nuvens e uma poeirinha de chuva que caia, deixava a noite mais sombria. As ruas praticamente desertas era um convite a um assalto. Mas isto ainda era raro no fim de mundo em que eu vivia, por isso caminhava tranquila, sem perceber que era seguida.
Foi só quando um casal, um pouco mais afoito, passou por mim em direção a uma rua mais escura, que despertei dos meus pensamentos. Caminhei mais alguns minutos e ouvi um grito. Um som meio abafado. Mesmo não dada a esses arroubos de boa samaritana, decidi voltar para ver o que estava acontecendo. Talvez a mocinha espevitada tivesse desistido de dar para o Don Juan de meia pataca.
Fiz a volta por uma rua paralela e cheguei ao outro lado do beco. A falta de iluminação publica fazia daquele lugarzinho um motel de beira de estrada. Mal podia ver um metro à minha frente. Pude somente perceber um vulto encostado na parede do muro. Então saquei o celular de minha bolsa e o liguei, para pode iluminar.
Tudo foi tão rápido quanto um piscar de olhos. No mínimo iluminar do aparelho, vi que um corpo estava estirado ao chão e, junto ao muro, uma bizarra figura abocanhava a jugular de um rapaz de calças arriadas.
Com olhos tão vermelhos quanto o próprio sangue de que se alimentava, a criatura me fitou enfurecida e, na mesma velocidade em que o meu coração disparara, de um salto, chegou até mim, tramando suas mãos enormes em meu pescoço.
Naquele segundo somente um pensamento veio em minha cabeça: morri.
_Solte-a! – ordenou uma voz forte que veio da parte mais escura do beco. A criatura me libertou e se voltou cheia de cólera sobre o homem que surgira de não sei onde. E como um zumbido de ventou ao pé do ouvido, a cabeça da criatura passou por mim e caiu no canto da rua, rolando pelos paralelepípedos até parar junto aos corpos do casal. Eu não conseguia me mover, apenas tremia.
O homem alto, vestido de terno e gravata, estende sua mão, agora banhada de sangue e apanha o meu celular, que ainda iluminava, mesmo que precariamente, o local. Pude ver seu rosto forte, de pele pálida, barba bem feita e seus olhos amarelados.
Ele se abaixa até o corpo decapitado, e com a ajuda do celular, busca algo nas roupas da criatura morta. Encontra um pedaço de papel rasgado e em seguida o mete em seu bolso. Levanta-se lentamente, segura na minha mão e me devolve o celular, vira-se e sai caminhando.
_Espera! – não sei se foi coragem ou insanidade momentânea. Segurei em seu braço e o pedi para não ir.
_Vá embora! Faça de conta que não viu nada do que aconteceu. Não quer ser chamada de louca, quer?
_Quem é você? Você é um vampiro? – gaguejei.
_Quanto menos você souber melhor será para você minha jovem.
_Hoje é meu aniversário. – balbuciei ainda tremula. _Me dê de presente esse seu poder! Me morda e me transforme. Não é assim que funciona?
Com força, ele me segura pelos cabelos e me apavora, arreganhando sua bocarra e suas presas em minha direção.
_Você não sabe o que está pedindo. Muitos já morreram tentando mudar o imutável. E você me pede para beber deste mal?
_Não o vejo como mal. E sim como uma fonte inesgotável de poder. – ele então me solta e sorri meio irônico.
_Lembre-se que não estou lhe dando de bom grado. – ele diz num tom quase melancólico. _Não o tomes como um presente de uma nova vida. Mas sim, como uma morte que se prolonga pela eternidade. – suas presas estão prontas para me morder.
_Espere! – eu peço hesitante e ele me olha satisfeito. _Morda-me, mas antes, me diga seu nome.
_Santiago. – foi o último som que ouvi antes de sentir as presas em brasa perfurarem meu pescoço, de sentir meu sangue saindo de mim com a velocidade de um pensamento e de meus olhos escurecerem mais do que aquela noite escura.
oi geovanni adorei seu blog, li até o capítulo 2 depois continuo.. mto legal a estória... criativo hein??? já sabia, rsrsrs..
ResponderExcluirum bjão
depois passa lá no meu blog e me diz o que achou!!!
www.vitrinedeinspiracoes.blogspot.com
CARO AMIGO.....
ResponderExcluirESTA EMOCIONANTE ESSA AVENTURA....
FICO SEMPRE NO AGUARDO PARA O PROXIMO CAPITULO...
GRANDE "ABRAÇO"!!!!!