Um
olho de cada vez, Teodoro foi abrindo. Sua testa latejava. O lençol amarelo,
sobre a cama, estampava sob sua cabeça uma grande mancha vermelha. O corte em
sua têmpora vertia lentamente o quase escasso sangue do corpo daquele vampiro.
_Você
é realmente um completo idiota! – os olhos ainda embaçados de Teodoro, aos
poucos foram vendo ganhar contornos definidos naquele corpo esguio sentado à
beira da cama._Diana! – finalmente ele reconheceu o rosto pálido, que também se escondia entre a nauseabunda fumaça de um cigarro. _Acho que empatamos, ou você não vê que ela já fugiu daqui?
Saltando sobre a cama, a vampira Diana golpeia o corpo de Teodoro com um dos pés, apertando-lhe o pescoço.
_Pra sua sorte, estou proibida de lhe matar. Porém, pelo tanto de sangue que já despejou deste corpo ignóbil, não creio que terá força suficiente para sair deste pardieiro. Mas se por um descuido da natureza isto acontecer, procure ficar longe, bem longe de mim. – Diana desce da cama, dá uma última tragada no cigarro, e atira a guimba sobre o lençol. A brasa num instante queima o tecido fino, levantando fumaça do colchão em chamas. E ela caminha calmamente em direção à saída, enquanto ainda meio tonto Teodoro espanca a cama, tentando apagar o fogo.
_Você se acha muito esperta, mas não vai capturá-la. – ele grita, estapeando o colchão e apagando o pequeno foco de incêndio. _Não vai mesmo... Não mesmo. – sussurra, caindo novamente sobre a cama, quase exaurido de forças.
Enquanto saía do apartamento de Valentina, Diana fazia uma importante ligação.
_Ela conseguiu escapar... Sim, como imaginávamos, Teodoro estava com ela. Mas foi deixado para trás também. Com certeza ele não tem a menor ideia de para onde ela terá ido. – Diana chama um táxi, enquanto fala ao celular. _Aguardo suas ordens. – entrando no veículo, ela se despede da pessoa do outro lado da linha.
Bem mais tarde, longe dali, entre pessoas que veem e que vão, de um lado para o outro, os saltos daquele belo par de botas, estalam sobre o piso frio do aeroporto internacional do Rio de Janeiro. Uma voz feminina anuncia os embarques e as plataformas. Malas são arrastadas, passagens verificadas, voos cancelados. Mas ela embarca para algum lugar. Primeira classe.
Dentro do avião, no conforto de sua cadeira, ela aguarda pacientemente a aeronave levantar voo.
_Com licença, a senhora deseja alguma bebida? – já durante o voo a aeromoça oferece serviço de bordo.
_Por enquanto não, obrigada! – retirando por um momento a echarpe que lhe cobria os longos cabelos vermelhos, Valentina agradece.
_Caso deseje alguma coisa, basta me chamar. – diz educadamente a jovem aeromoça, de tez bem corada e lábios delicados e coloridos com discrição.
_Não se preocupe. Com certeza a chamarei assim que precisar. – responde maliciosa a vampira, ajeitando novamente a echarpe sobre sua cabeça, colocando seus grandes óculos escuros e maquinando algo em sua mente torpe.
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