Seriam
mais ou menos oito horas de voo do Brasil a Portugal. Apenas uma mala entulhada
de roupas. A saída às pressas não me dera tempo para organizar nada. Documentos
e passaporte e todo o dinheiro que já havia separado em casa, estava tudo em
minha valise de mão. Botas, calça jeans e um grosso e comprido casaco, era o
que eu vestia. Além da echarpe sobre a cabeça e os estilosos óculos escuros. Tudo em prol da proteção da minha pele
sensível ao sol. Chegaria durante a manhã à terra de Cabral.
A viagem estava tranquila. Praticamente todos os passageiros dormiam e eu, aproveitava o silêncio para repensar meus planos, já que não contava com essa fuga repentina.
Uma viagem era certa, mas não para Portugal e não naquele momento. Mas já que não havia como mudar os acontecimentos, eu precisava me virar da melhor forma possível. Ao chegar a Portugal, me hospedaria por alguns dias e, após fazer meus devidos contatos, partiria de lá para Londres, local onde deveria ir desde o principio.
Não tendo muito que fazer no momento, decidi descansar um pouco. Sentia meu estômago começar a revirar, mas seguraria a fome o quanto pudesse. Não seria muito prudente me arriscar naquele momento.
Do sono leve acordo, ao ser educadamente tocada no ombro pela comissária de bordo. Ela oferecia aperitivos durante o voo. Recusei sorridente, sem conseguir despregar os meus olhos do seu pescoço esguio, envolto num lenço vermelho, que completava o elegante uniforme da empresa aérea. Minha boca salivou, como se à minha frente alguém cortasse ao meio um suculento limão. Acompanhei-a com os olhos até o final do corredor da aeronave. Olhei em meu relógio e vi que em poucas horas o avião pousaria. Já dava para ver o céu clarear pela janela. Então, me levantei e caminhei em direção ao banheiro, passando por ela e, fazendo questão de que me visse entrar no reservado. Lá permaneci por alguns minutos, sabendo que em breve todos deveriam estar assentados em suas poltronas e com os cintos de seguranças bem travados.
_Com licença! – ela diz, batendo na porta. _A senhora está bem? Precisa de ajuda?
_Estou um pouco enjoada! – respondo.
_Vamos pousar em alguns instantes. A senhora precisa retornar ao seu lugar.
Abri a porta do banheiro e simulei estar meio tonta, sentando-me novamente no sanitário.
_Venha! Vou ajudá-la a voltar ao seu assento. – disse a comissária, entrando também no banheiro. Segurando com cuidado em meus braços, ela ajuda-me a levantar e, mais uma vez, finjo ter uma tonteira e sou por ela amparada.
_Nossa! Estou muito tonta. Se não fosse você eu teria me esborrachado no chão.
_Não precisa agradecer. Estamos aqui pra ajudá-la. – respondeu, quase que como num roteiro. Uma fala imposta pela empresa e decorada à exaustão.
_Acho que já estou um pouco melhor. – respiro profundamente e sorrio agradecida. _Você foi um anjo. – viro-me e suavemente beijo-lhe a face. Ela me olha surpresa, mas sorri sem graça. E quando ela ensaia sair do banheiro, puxo-a com força e lhe cubro a boca e, em seguida, tranco novamente a porta do banheiro.
Minutos depois, o avião pousa sem o menor problema. O desembarque é tranquilo. O céu nublado me deu um pouco mais de segurança para sair. E, apesar de estar um pouco quente, precisava me cobrir bem.
No saguão do aeroporto e já de posse de minha mala, caminhei para a saída entre turistas que iam e viam. Até perceber um tumulto, seguido de um corre-corre ao som de sirenes. O zum-zum-zum era muito familiar. Senti-me no Brasil. Não só pelo idioma, mas pelo boca a boca das pessoas, a troca rápida de informações. Então, aguçando meus ouvidos, pude entender o que as pessoas falavam. Uma comissária de borda havia sido encontrada morta no banheiro da aeronave. E mais, com uma grande mordida no pescoço.
_Pobre moça! – pensei auto, depois sorri e chamei um taxi.
Só parei de ler na última frase! Parece bobo meu comentário, mas seus textos a gente lê num só fôlego! Parabéns!
ResponderExcluirNossa, fico super feliz. E continue acompanhando.
ResponderExcluirGe... você como sempre arrasando!
ResponderExcluirSou muito fã da Valentina!
Concordo com o comentário acima, a gente não consegue parar até ler a última frase. A ao terminar... fica um gostinho de quero mais!!
Espero ansiosa pelos novos capítulos!
Bjos!!