segunda-feira, 16 de abril de 2012

Capítulo 10 - Carne Vermelha e Vinho Tinto

Foi há uns três meses atrás, enquanto estrangulava mais um vampiro fedorento, que se interpunha entre minha refeição, um belo espécime masculino no furor dos seus hormônios, e eu, que ouvi entre um engasgar e outro, meio que abafado pelo sangue que voava de sua boca junto à saliva, o suposto paradeiro da segunda parte do pergaminho perdido. A princípio, julguei ser apenas uma saída desesperada em prol da própria vida. Podia ser uma mentira criada no desespero. Tudo para manter a cabeça presa ao pescoço.

_Juro que é verdade! – exclamou desesperado, pondo quase um palmo de língua para fora e respirando ofegante o vampiro. _Não sei se é apenas uma lenda toda a história em torno do pergaminho. Ninguém nunca conseguiu juntar as três partes para descobrir. Ou melhor, dizem que apenas um vampiro fez esta proeza. Mas eu ouvi dizer, que parte deste artefato, se encontra do outro lado do mundo, nas mãos de um poderoso vampiro.

_E quem lhe contou tal informação? – perguntei, afrouxando mais as mãos em torno da goela daquela criatura insignificante.

_Não sei... Não sei dizer ao certo. – gaguejou. _ Mas eu ouvi alguns vampiros comentando. É verdade! Pode acreditar.

_E o nome deste vampiro tão poderoso, você saberia me dizer?

_Sim, sim... Eu digo. Mas por favor, não me mate. Eu imploro. – naquele momento, até cheguei a acreditar em suas palavras, já que o pobre coitado tremia mais que gelatina no prato.

_Tudo bem. – larguei o pescoço do estupor e o deixei respirar mais tranquilamente. _Agora me diga o nome.

_Winkelmann. Lord Willian Winkelmann. – disse, ainda gaguejando e cuspindo um pouco de sangue. _Ele é um milionário e mora em Londres. Dizem que é um homem muito mal e excêntrico. Só que isso pra mim, é sinônimo de vampiro. Com certeza este magnata é um chupa sangue feito você e eu.

_Não! Eu não sou feito você! – arremessei-o para longe com um chute. _Possuo um objetivo maior do que apenas chupar sangue. Mas isso não lhe diz respeito. Por hora, satisfaça-se por permanecer vivo ou morto-vivo, como queira. Só não ouse cruzar meu caminho novamente.

Minhas lembranças, naquele momento, até me fizeram sorrir. Mas eu estava tensa ao ter que transitar durante o dia. Qualquer exposição maior ao sol e eu viraria churrasquinho de Valentina.

Ainda dentro do taxi, calcei um par de luvas e cobri a cabeça com um grande chapéu de aba preta, que trazia em minha mala. Fiz questão de trazê-la ao meu lado, no banco do passageiro, e não no porta-malas do carro.

O dia não estava frio, mesmo estando nublado. Toda aquela minha roupa poderia causar estranheza aos olhares alheios. Sendo assim, chegando ao hotel, não perdi tempo, fui logo desembarcando e invadindo a recepção. Segundos depois, já estava chegando ao meu quarto, tendo minha mala carregada por um belo rapaz sorridente. Ele educadamente abriu a porta para que eu entrasse, em seguida, deixou minha mala ao lado da belíssima cama king size.

_Não abra as cortinas, por favor! – gritei, assim que o mensageiro esboçou o movimento para abri-las. _Vou aproveitar para descansar um pouco. Melhor que elas permaneçam fechadas, obrigada.

_Se assim prefere, senhora. – sem perder o sorriso, caminhou para a porta do quarto. _Se precisar de mais alguma coisa, é só chamar. Com licença.

Coitado do rapaz, mal podia imaginar o que se passava em minha cabeça. O que eu queria mesmo, naquele momento, era empurra-lo sobre aquela cama convidativa, rasgar seu uniformezinho ridículo com os dentes, o deixando nu em pelo, e usa-lo pelo resto do dia até exaustão. E, quando chegasse à noite, me banquetear com seu sangue em ebulição, já que o restante de seus líquidos se teria esvaído.

_Que merda! – desabafei, me jogando de costas sobre o macio colchão. Entre o meu querer e o precisar, sabia que o segundo sairia ganhando. Meu corpo precisava descansar. Já havia feito proezas demais para um único dia. Sentia minha pele formigar. Daria tudo para dormir em um caixão neste momento. Boa noite.

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