sábado, 11 de junho de 2011
Capítulo 07 - Carne Vermelha e Vinho Tinto
domingo, 22 de maio de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
Capítulo 6 - Carne Vermelha e Vinho Tinto
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Capitulo 5 - Carne Vermelha e Vinho Tinto
terça-feira, 3 de maio de 2011
Capítulo 4 - Carne Vermelha e Vinho Tinto
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Capítulo 3 - Carne Vermelha e Vinho Tinto
terça-feira, 26 de abril de 2011
Capítulo 2 - Carne Vermelha e Vinho Tinto
São dezessete horas quando o celular dispara o alarme. Levanto-me lentamente. Sinto ainda um vestígio do gosto de ferro em minha língua.
As cortinas pesadas do meu apartamento escondem os últimos fachos de sol. A hora de ir trabalhar está chegando. Mas nem todos os vampiros precisam trabalhar. Com o passar do tempo, eles acumulam uma significante fortuna. Mas eu sou caçula desta espécie. Ainda estou engatinhando. Todavia, já percebi ser muito boa no que faço. Já tenho o meu próprio apartamento. Melhor do que dormir dentro de um caixão. Poucos mantêm ainda esta tradição, afinal, há séculos não existiam películas protetoras para vidros, muito menos cortinas blecaute.
Como trabalho a um quarteirão de onde moro, sempre vou caminhando. Observando cada pessoa que passa ao meu lado ou do outro lado da rua. Sou supervisora em uma empresa de telemarketing, mas por pouco tempo. Os meus planos são mais ambiciosos, só que, infelizmente, ainda não disponho de dinheiro em caixa suficiente. Dinheiro honesto? Digamos que, seus donos não teriam como usá-los no lugar para onde foram. Sendo assim, garanto sua utilidade e seus rendimentos em prol de uma boa causa: a minha causa.
Aqui no meu trabalho, tenho que ser a mais sutil dentre todos. Não posso macular minha vida humana, nem causar nenhuma desconfiança. Mas juro, que é necessário um esforço descomunal ver tantos pescoços desnudos, ouvir todos os corações cadenciados feito bateria de escola de samba e cheiros... Cheiros diferentes e deliciosamente instigantes.
Na rotina dos horários, volto para casa no final do expediente. Sempre tendo que antes, driblar um engraçadinho que insiste em acompanhar-me até o meu apartamento. Minha vontade mesmo, já a esta altura, é empurrá-lo contra a parede, puxar firme em seus cabelos inclinando sua cabeça para o lado e abocanhar de uma só vez o seu pescoço. Nunca imaginei que eu pudesse ser tão forte. Respiro fundo e resisto. Sorte a dele.
É quase meia noite. Meu relógio biológico me põe em alerta total. Um trovão anuncia a chuva. Hoje a noite promete.
Minutos mais tarde chego a um café. Musica ambiente, gente bonita conversando, vida inteligente que circula pela madrugada. Sento-me sozinha em uma mesa bem ao fundo do estabelecimento. E, misturado ao cheiro de capuccino, sinto um insalubre odor de carne podre. Minhas pupilas se dilatam e minha pele fria se arrepia. Outro vampiro entrara na cafeteria.
_Boa noite! – cumprimenta-me educadamente. _Posso me sentar?
_Infelizmente não posso impedi-lo. Mas não sou obrigada a partilhar do mesmo ar que você respira.
_Calma garota! Não sou teu inimigo. Mas acho bom você ficar sentadinha ai.
Naquele momento não via outra saída. Permaneci sentada, fazendo cara de quem iria obedecê-lo. Mas na verdade, não queria era chamar a atenção para mim, de forma grotesca.
_Meu nome é Teodoro, mas você pode me chamar de Teo. – ele dizia, enquanto tentava segurar a minha mão.
_Pouco me interessa como você se chama. E, por favor, não me toque. – contestei, retirando a mão.
_Não seja grosseira Valentina. – disse ele, surpreendendo-me. Como ou de onde ele me conhecia? _Eu sei quem é você e também sei quem é aquele que você busca.
Neste instante, toda a minha vontade de meter-lhe a colher que estava sobre a mesa em sua garganta até sufocá-lo, foi momentaneamente substituída pela curiosidade. Assim, pensei comigo mesma: te deixarei viver por mais algumas horas.
Tão bom quanto saciar a fome com o sangue e a carne humana, era a sensação de estraçalhar outro vampiro. Os dedos perfurando a pele morta e desfiando a carne tal qual tecido velho e apodrecido. Já o gosto não era apetitoso. Era enjoativo feito queijo cheddar com maionese e amargo feito jiló ensopado. Talvez por isso, muitos ainda viviam. Já que a lei que a milênios perdurava, era a de que se um vampiro mata outro, deve devorá-lo. E eu, definitivamente, não tinha estômago para mastigar um pedaço que fosse da carne daquele sujeito naquela noite chuvosa. Mas isso não significava que eu não pudesse mudar de ideia a qualquer momento.
sábado, 23 de abril de 2011
Capítulo 1 - Carne Vermelha e Vinho Tinto
Faz três anos que isto tudo começou. Se alguém me contasse, com certeza eu não acreditaria. Meu nome é Valentina. Sou uma vampira. Você até pode achar um maior barato ser vampiro, mas eu lhe digo, por experiência própria: não há nenhum glamour em ser um vampiro. Vampiro nenhum brilha à luz do sol. O sol pode ser mortal para todos nós. Ele queima a pele ao ponto de incinerá-la. Com muita proteção até podemos circular durante o dia. Mesmo assim dói, dói demais quando o sol nos toca a pele. Mas do jeito que as coisas estão caminhando, em breve até os seres humanos estarão sujeitos ao mesmo mal que padecem os vampiros.
As histórias, os romances, tudo ilusão. Ser vampiro é sentir fome e sede, vinte e quatro horas por dia. É uma tortura. Por mais que tentemos resistir, é inútil. Sangue de outros animais até nos serve de placebo, mas somente a carne e o sangue humano nos saciam a fome.
Nossas noites não são poéticas quanto às de romances açucarados. Pele e sangue frios nos faz buscar calor de corpos quentes, que, antes mesmo do final da noite, tornam-se apetitosos banquetes noturnos.
Nada de alho, crucifixos ou água-benta. Tudo mentira. Nada disso mata um vampiro. Se quiser mesmo matar um vampiro, atravesse seu coração com uma estaca e arranque-lhe a cabeça. Como sei tudo isso? Precisei aprender muito rápido ou não estaria viva até hoje. Como lhe falei no inicio da história, me chamo Valentina, e sou uma vampira.
Já passa das cinco horas da madrugada e eu estou aqui, numa boate entupida de gente, música alta e luzes ofuscantes. Sentei-me num banquinho ao lado do bar. Pedi uma bebida forte, somente para fazer cena. Depois do sangue, apenas o vinho nos aguça o paladar.
Dezenas de homens e de mulheres me comem com os olhos. Minhas pernas bem torneadas chamam a atenção. Faço isso de propósito. Minhas roupas são sempre sensuais, nunca vulgares. Afinal de contas, quero atrair comida de boa qualidade. É assim que olhamos para os humanos, como num catálogo de carnes penduradas num açougue. Escolhemos carnes tenras, de ótima qualidade e sangue de uma boa safra.
Às vezes, até acho que sinto prazer em todas estas caçadas noturnas. Nesta busca pela presa ideal. Porém, é muito mais que isto: é uma questão de sobrevivência. Uma necessidade visceral de estar viva, sempre buscando a ínfima esperança de cura. Se é que ela existe de fato, ou não passa de parte da lenda já tão ecumênica e distorcida. Mas para isso, preciso de mais uma noite.
Então, ela me tira para dançar. Saída do meio de outras menos corajosas, a mulher se aproxima e encaixamos-nos coxa com coxa. E eles nos devoram com olhares fixos e baba no canto da boca. As mãos da fêmea vestida de preto se emaranham nos meus cabelos longos e vermelhos. Ela expira quente em meu pescoço. Posso ouvir seu coração bombear litros de sangue por todo aquele corpo, que transpirava uma fragrância adocicada. Mas minha fome era tão grande que, precisaria de mais para saciá-la. Estendo minha mão para que um dos homens nos acompanhe na dança. E ele vem com seu jeito Neandertal, se achando o último dos machos. E assim, dançamos os três, como se ensaiássemos o sexo que nossas mentes desejavam naquele momento.
Saímos da boate, entramos num carro, batemos a porta e partimos para a cama mais próxima. Nenhuma palavra trocada, apenas olhares, toques e saliva.
Vi que o céu enrubescia. E que a vontade não aguardaria por uma cama. Com o carro estacionado numa rua qualquer, pus a mesa para o banquete. Entre peles que se roçavam e línguas intrometidas, me servi com o prato principal da noite. Minhas presas morderam suas jugulares como dentes que perfuram uma pêra macia. E o sangue quente desceu-me goela a baixo feito o mais requintado dos vinhos. E enquanto o céu mantinha sua matiz avermelhada, desci do automóvel e caminhei até o ponto mais próximo de táxi. E assim, voltei para casa satisfeita, antes mesmo que o sol dissesse bom dia.


